neste artigo
- Audiovisual se escreve junto (e isso é o de menos)
- Pré-produção: as palavras que aparecem no orçamento
- No set: o que a equipe está falando
- Na edição: as palavras que decidem sua aprovação
- Na entrega: formatos, versões e o tal do bruto
- Como a Silvertake traduz o jargão no projeto
- Fale a língua do set sem virar editor
Audiovisual ou audio visual? Se você já travou nessa dúvida antes de mandar um e-mail para a produtora, ela é a mais fácil de resolver de todo o vocabulário do vídeo.
A difícil vem depois, quando chega a mensagem: “o offline está no link, color e mix entram depois do lock”. Você responde “ótimo, obrigado” e abre o Google em outra aba.
Ninguém precisa virar editor para contratar vídeo. Precisa entender a língua do set, porque quem não entende o jargão aprova a coisa errada na hora errada. A refação cara quase sempre nasce de uma palavra mal entendida, e raramente de um editor ruim.
Audiovisual se escreve junto (e isso é o de menos)
A grafia correta é audiovisual, numa palavra só, sem hífen e sem acento. Segue a mesma lógica de audiolivro e audiodescrição: o “áudio” entra como elemento de composição e se cola à palavra seguinte. No plural, fica audiovisuais.
“Áudio visual”, separado, aparece muito em busca e até em proposta comercial, mas está errado. Se a produtora escreve assim no próprio site, repare no cuidado com o resto.
Resolvida a grafia, sobra o restante do vocabulário, que é o que pesa no projeto. Este guia organiza os termos na ordem em que aparecem, do briefing à entrega. Se quiser ver o processo inteiro antes, leia sobre as três fases da produção de vídeo corporativo.
Pré-produção: as palavras que aparecem no orçamento
Antes da câmera ligar
- Briefing: o documento com objetivo, público, prazo e canal onde o vídeo vai rodar. Tudo o que vem depois sai dele.
- Roteiro: o texto e a descrição das cenas. Em vídeo com locução, define a duração. Em depoimento, vira pauta de perguntas.
- Decupagem: o roteiro quebrado em planos, cena a cena. É ela que diz quantos dias de gravação o projeto precisa.
- Storyboard: desenhos ou frames de referência de cada plano, comuns em animação e VT e raros em institucional simples.
- Diária: um dia de equipe e equipamento em set, geralmente a linha mais pesada do orçamento.
- Ordem do dia: o cronograma da gravação, hora a hora, com quem grava, onde e o quê.
O que isso muda para você
Quando a proposta fala em “duas diárias”, pergunte o que cabe em cada uma. Quem responde é a decupagem.
Incluir uma cena nova depois que a decupagem foi fechada quase sempre significa mais uma diária, e não “mais meia hora de gravação”.
No set: o que a equipe está falando
Termos de captação
- Captação: o ato de gravar. A captação externa acontece fora do estúdio, na sua fábrica, no seu escritório ou no seu cliente.
- Take: cada tentativa gravada de uma mesma cena. Pedir mais um take não indica problema: é margem para a edição.
- Plano: o enquadramento. O aberto mostra o ambiente, o fechado mostra o rosto e o detalhe mostra mãos ou objetos.
- Imagens de cobertura (ou B-roll): tudo o que não é a pessoa falando, como operação, equipe e produto. São elas que escondem cortes e dão ritmo.
- Som direto: o áudio gravado no momento, normalmente com um microfone de lapela preso na roupa.
- Teleprompter: a tela que exibe o texto na frente da lente, para o porta-voz ler olhando para a câmera.
Onde o gestor costuma errar
O erro mais comum é cortar o tempo de cobertura para economizar. Sem imagens de apoio, o editor fica preso à cabeça falante e o vídeo sai longo e monótono.
Em mais de uma década gravando CEOs, ficou claro para nós que a agenda do executivo pode ser curta, mas a da cobertura não.
Na edição: as palavras que decidem sua aprovação
Nesta fase o vocabulário pesa mais no bolso, porque cada etapa aceita um tipo específico de comentário.
Etapas do corte
- Primeiro corte (ou offline): a montagem com a história na ordem, ainda sem cor tratada, som final ou grafismo. É o momento de mexer em estrutura.
- Lock (corte travado): a montagem aprovada. Depois do lock, mudar a ordem das cenas reabre todo o trabalho.
- Color (correção de cor): o ajuste de tons, pele e contraste para que as cenas conversem entre si.
- Mixagem (mix): o equilíbrio final entre voz, trilha e efeitos sonoros.
- Finalização: color, mix e grafismos aplicados sobre o corte travado.
Grafismo e som
- Motion graphics: elementos gráficos animados, de um número que aparece na tela a um vídeo inteiro em animação.
- Pacote gráfico: o conjunto padronizado de vinheta, cartelas, tarjas e transições na identidade da marca.
- GC (ou lower third): a tarja com o nome e o cargo de quem fala.
- Trilha: a música, que pode vir de biblioteca licenciada ou ser composta sob medida.
- Locução: a voz que narra sem aparecer na tela.
A regra prática
Comentário de estrutura vai no primeiro corte. Cor e volume ficam para a finalização.
Inverter essa ordem é a receita do retrabalho que descrevemos no guia de fluxo de aprovação de vídeo.
Na entrega: formatos, versões e o tal do bruto
- Master: o arquivo final em qualidade máxima, que serve de fonte para todas as cópias.
- Reduções: versões mais curtas do mesmo vídeo, como 60, 30 e 15 segundos.
- 16:9, 9:16 e 1:1: proporções de tela. O horizontal serve para site e YouTube, o vertical para stories e reels e o quadrado para alguns feeds.
- Legenda aberta x closed caption: a legenda aberta fica gravada na imagem. A closed caption é um arquivo separado, que o espectador liga e desliga.
- Codec: o padrão de compressão, que define tamanho e qualidade do arquivo.
- Bruto: todo o material gravado, sem edição. Defina no contrato se ele será entregue e por quanto tempo ficará guardado.
Para saber o que pedir em cada canal, nosso checklist de entrega de vídeo com formatos e codecs detalha cada arquivo.
Como a Silvertake traduz o jargão no projeto
Na Silvertake, cada versão chega ao cliente com o nome da etapa e o tipo de comentário esperado nela. Em vez de um “V3”, você recebe um “primeiro corte: hora de mexer em estrutura”.
Nas videoaulas EAD da Faculdade Cásper Líbero, a cenografia e o pacote gráfico em motion graphics foram definidos como padrão do projeto. Assim, a esteira de captar, editar e entregar centenas de aulas não precisou parar a cada vídeo para discutir tarja ou vinheta.
O mesmo vale para vídeo institucional e para vídeos de cursos e EAD: quando o vocabulário é combinado no começo, o projeto fica previsível até o fim.
Fale a língua do set sem virar editor
Operar uma timeline é trabalho do editor. O seu é saber em que momento pedir o quê, e este dicionário cobre a maior parte das conversas de um projeto corporativo.
Se tem um vídeo pela frente e quer alinhar escopo, etapas e entregáveis antes de começar, mande um briefing para a nossa equipe. A gente marca um papo rápido e conversa na sua língua, para que todo mundo entenda a mesma coisa desde o briefing.
Publicado em 19 de outubro de 2026











